Se te esquecesses
Dos tempos futuros
Em que tudo é nada…
Saberias tudo
Entretanto
O teu cinzeiro
Fala-me de ti
Apresenta-me a tua insanidade,
Néscio sabedor.
Encontro as palavras
Que não escreves
Os versos que não gritas
Os verdadeiros poemas
Que nunca lerei
E fumo, também
Um cigarro e outro
Se descrevesses
O meu passado
Em que sabia tudo…
Saberias nada
quarta-feira, 3 de março de 2010
Cinzas
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Carlos
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Existência
Entre a depressão
E a realidade
O sonho
Entre a perda
E a conquista
A vã existência
Entre as portas fechadas
E o mar aberto
A insegurança
Entre o que queria ter sido
E aquilo que sou
O peito ferido
Lembro-me do sangue da minha mãe
Com que ainda convivo
Parto por este mundo
Ainda mal parido
E cairei, um dia
Sem a certeza
De algum dia ter nascido
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Amar
Amar
Amar, as coisas
A vida, amar
As mulheres
Amar os homens
Amar,
As crianças
Amar, simplesmente
Amar
Mas não ser de ninguém
Amar intensamente,
Descaradamente,
Indecentemente.
Amar incoersívelmente.
Amar a todos e a toda gente.
De uma forma suave, docemente,
De uma forma clara e lealmente,
Amar todos, tudo,
Até o que não é gente,
Amar o mar, o ar e o sol poente
Amar, simplesmente
Amar
Mas não ser de ninguém.
Conchinha e Analyra ( http://tropecosliterarios.blogspot.com )
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1 de Setembro de 2009
Mãe
Não te tenho escrito,
Bem sei.
Justifico a ausência
Não estou bem
Lê nesta carta uma urgência
Mãe.
Definitivamente
Não sou da cidade
Passo uma tarde entre o Chiado e o Rossio
E tenho tudo o que quero
A natureza entra morta pelas portas dos fundos
Dos talhos
E em pacotes de leite UHT
Aqui não há mar
Não há amar
Quero gritar, mãe
Ah, como quero gritar
Que o meu sonho morreu
Assim que cheguei à cidade
(Até as estrelas morrem se a avistam)
Os homens mijam à sua volta
Como feras
E vão nos carros a tomar comprimidos
(Dizem que é para não sofrer)
A cidade não abriga o poeta
Não me sacio na cidade
Mãe, dá-me colo
Mãe, dá-me um abraço, dos teus
E devolve-me
A brisa
O sal
O sol
O sul
O brilho
As silhuetas
As serras
As planícies
Os golfinhos
As flores
As mulheres
Os homens
As crianças
As aves
O beijo
O eu,
Este filho que te adora.
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Verdade
Ao fundo
Um pescador destemido
Espraiando as suas tristezas
Fala-me da ilusão do homem
De como se sonha forte…
A natureza
Bem mais perto
É o ribombar das ondas
Na pedra escura e dura.
Imponente
O mar
Diz-me a verdade de mim.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Arcturus
Naquela noite
O amor
Eram as velas
E suas valsas ao sopro da brisa
Naquela noite
O amor
Eram os pés
Que se tocavam sem intenção
Naquela noite
O amor
Eram as mãos
Que se embalavam ao toque do vinho
A luz
As mãos
O verde
A valsa
O veludo
O vinho
O branco
As fragrâncias
E lá fora, Arcturus
Eram o amor
Naquela noite
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Sol poente
Eu queria ser o pôr-do-sol
Encher o céu de cores
Todo o espaço meu, por colorir
E sempre ser nova composição
Sem qualquer impedimento
Ou restrição
Brincar às silhuetas
Com as árvores e os moinhos
Contigo, meu amor
Brilhar por entre ramos
Nos regatos
Inundar os rios
E os oceanos
Neste momento passa no horizonte
Uma águia
Foi o sol que mo mostrou
Deixei-me enfeitiçar
E planei com ela
E com todas as aves do mundo
Voei contigo
E mais não te sei dizer
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Coisas que não rimam…e outras
Em Agosto
O plástico não rima com a praia
Como o sol não rima com duas inglesas
Que o absorvem sofregamente
Por outro lado, no pico do calor
Minh’alma encontra-se com as manadas
Cujos sons percorrem as longínquas planícies.
À tardinha, em bandos
Os pássaros, pardais ou andorinhas
Rimam entre a copa de uma laranjeira
E o céu azul.
À noite dou por mim rendido aos grilos
Até que por fim
Me deixo ir
Perdido,
Em sonhos,
Que nem sempre rimam comigo
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Carlos
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17.8.09
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A chaminé
Alta e imponente
Não estás mais próxima do céu
Nem por isso és branca
É o pouco que sei sobre ti
Não porque mo tenha dito uma andorinha
Talvez até tenha sonhado tudo isto
Todavia as andorinhas são reais
E também tu és real
E apontas ao céu
Ao sul
Rumarão as andorinhas
Quando a estação acabar
Nós viemos agora
À cíclica peregrinação
Como um outro ciclo do sol
Esse, o sol, no céu
O sul na terra
E o azul que parece que compõe todas estas coisas que nos fazem felizes
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Carlos
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
Fui poema
Do teu fado saíam
Gaivotas
Gaiolas
Guitarras
Colares
Navalhas
Um terço
Uma velha
Um padre
Um mendigo
Eu voei com as gaivotas
Abri as gaiolas
Toquei as guitarras
Guardei
A sete chaves
Os colares, as navalhas e o terço
Dancei de roda
Com a velha, o padre
E o mendigo.
Eu fui poema, meu amigo
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Carlos
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30.7.09
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