Salto
Carpa
Solto
Sei a tua pele
Pulo
Melro
Livre
Levo o teu odor
Voo
Águia
Alto
Tenho o teu sorriso
Fecho as pálpebras.
Os meus dedos sabem
E seguem teu contorno.
Sou teu lábio, carne
Sou teu terno corpo.
Será liberdade levantar os pés da terra?
Então
Sou livre!
quarta-feira, 3 de março de 2010
Sou livre
Publicada por
Carlos
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O céu, das casas
As casas caem
Depois dos homens
Amontoam-se as memórias
No aterro contam-se histórias
A quem as saiba ouvir
As fisgas, os amores, as vitórias
Saudade nas pedras
Choros e sussurros.
Triste fim
De uma vida nada vã.
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6º Sentido
O homem tocou a terra
Agarrou-a com suas mãos e
Desfê-la entre os dedos
Foi ínfimo grão
Torrão,
Terno
Tenaz
Testemunhou o Sol
Com o respeito que se há-de dar
Aquela que um dia será mãe
A taipa, ergue-se estátua
Urgente, fecunda
Ao homem
E desperta um novo sentido
Sentir que ainda não é o céu
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A queda de uma folha
Antes de morrer
As folhas
Curvam seus veios
Tornam-se aladas
Firmam formas flácidas
Fazem-se leves
E soltam-se pelo leme
Ao cair
Rodopiam
Piruetam
Dançam
Descem
Planam
Invertem movimentos
Sobem
E rodopiando
Voltam a cair…
Suaves.
Docemente
As folhas
Tocam a terra
E não morrem
Ninguém chora
Ninguém ri
Não há aplausos
Circos, acrobatas
Festas, fogo
Fado, foguetes, flores
Não é Carnaval
Não há presentes
Andarilhos
Promessas, pragas
Não se faz Poente
As folhas simplesmente
Caem, não morrendo
E tocam a terra, docemente
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Vem
Sinto
Silvar acidulado
Se não vens
Percorrem-me as serpentes
Sábias
Em seu ferir
Por isso sei que vivo
Para te ver chegar
E brotam
De mim tardios
Pensamentos sobre ser feliz
Uma cor então
Me chega e basta
Para colorir o mundo
Assim como o vento junta as folhas
O tempo
Nós
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“Façam o favor de ser felizes”
Em castanho acobreado
No Outono
Cai a folha
Vem a chuva em passos largos
A secura finada
A aspereza dos galhos
Floração arrependida
Os detritos da batalha
Que trava a morte com a vida
Na valeta de granito
Não me desviam o pensar
Daquela voz sorridente
Que com saudade me diz
Por favor, sê feliz
E na penumbra latente
Do Inverno
Nada é gente
Tudo é sombra
A alegria na montra
E o meu olhar descrente
Não a mira, não a compra
Alegria é pedra dura
Alta estátua, colossal
Do tamanho de dois mundos
Desde aqui ao infinito
Maior que a força do grito
Penso, sobrenatural
Por isso a dispenso
E por isso a deifico
E é nesse estado de pensar
De que nunca me refiz
Com o peito a fraquejar
Que as pálpebras se tocam
E…
(Ai como se fecham os olhos)
De angústia, de sofrimento
Do mais intimo lamento
Por coisa que nunca fiz
E num mágico momento
Um sussurro do vento
E aquela força que me diz
Por favor, sê feliz.
Mas cai a noite
Cai o mundo sobre mim
Não durmo
Alterno o lado, taciturno
Entre o princípio
E o fim
Ajoelho-me, prostrado
Com uma força ínfima
A pouca que me resta
E abro os braços
Olho os céus
Clamo piedade
Choro lágrimas
De mim
Não acredito…
É aí mesmo
Um pouco antes do fim
Que meu coração perdido
Sente o cintilar distante
E ressuscito
Em primaveras
Aves canoras, gerberas
Incensos e licores
Frutos de mil sabores
Dou graças à densa noite
Que deu luz àquela estrela
De voz (ternura) tão bela
Que olha para mim e diz
Por favor, sê feliz
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Bem-vindo à vida
Da laranja
Espremida
Apenas saíram homens
Em número de 24.
Olhei
Uma última vez
O seu sorriso
Que dizia
Bem-vindo à vida
Peguei nela e
Antes de cuspir
Atirei-a
Às trombas do mundo.
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A insalubridade dos narcisos
Os sexos tombados
à ingratidão
dos homens
Os sabres desembainhados
vergando-se à forja
da insensatez
Os sábios,
sabiamente calados
à incompreensão
Era a tinta seca,
a cal em pedra,
o sangue escorrido
O minério
que decididamente
se agarrava à terra
A espécie que fenecia
E tu…
Ao espelho
Um pente
Sorridente
Um dente d’oiro
Ensaiando poses
Não foges de ti
Eu curvo-me
E vomito
O pouco que resta de mim
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Carlos
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O homem agitado
O homem agitado
Na torre da igreja
Clamava por Deus
Não vinha ninguém
Era o Outono nos olhos do mundo
As ruas caladas
A paz aparente, das palavras
Era a ânsia do desassossego
O silêncio dos sonhos
Das estátuas de carne, vivas
Era o grito surdo
Que o calor denso
Teimosamente abafava
O homem agitado
Na torre da igreja
Não vinha ninguém
Clamando por Deus
Ou seria eu?
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Carlos
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Sentidos
Sentidos
Os pinheiros abrigam a paz
Das rolas em teu peito
Toco-te
E brindo à eternidade
Com odores de Verbena
Como se fosses tu.
Na boca fica-me o mar sonhado
De não te ter aqui
E assim vou morrendo
De tanto viver.
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